SPACE ENSEMBLE



O filme Kino-Eye (KinoGlaz, de Dziga Vertov, 1924, Rússia) é apresentado pelo próprio Dziga Vertog como sendo a primeira coisa cinematográfica não ficcional, sem guião nem actores, e realizado fora de estúdio e sem cenários.
Neste concerto, como em todos os projectos anteriores do Space Ensemble, é dado grande espaço à improvisação. No entanto, um guião previamente organizado, conduz os músicos ao longo do filme, o que torna esta improvisação parcialmente “condicionada”. Nesse guião são associadas às várias cenas instrumentos, músicos, e sub-grupos.
A formação para este concerto é de 11 instrumentos, sendo que alguns músicos tocam diversos instrumentos. A selecção dos músicos e dos instrumentos é normalmente distinta entre as várias apresentações.


Nós, os Kinoks e o Kino Eye:

Nos anos 20, do século passado, Dziga Vertov procurou criar uma linguagem de cinema absoluta e verdadeiramente internacional, baseada no seu total afastamento da linguagem do teatro e da literatura.

Os seus filmes eram uma experiência de comunicação cinematográfica dos acontecimentos reais. Pretendia afastar-se do cine-drama russo-alemão e dos filmes de aventuras americanos. No manifesto “Nós” dos auto-denominados “Kinoks” chega mesmo a declarar “que os velhos filmes romanceados e teatrais têm lepra.”



"Eu sou o cine-olho.

Eu sou um construtor. Você, que eu criei, hoje, foi colocada numa câmara (quarto) extraordinária, que não existia até então e que também foi criada por mim. Neste quarto há doze paredes que eu recolhi em diferentes partes do mundo. Justapondo as visões das paredes e dos pormenores, consegui arrumá-las numa ordem que agrade a você e edificar devidamente, a partir de intervalos, uma cine-frase que é justamente este quarto (câmara).
Eu, o cine-olho, crio um homem mais perfeito do que aquele que criou Adão, crio milhares de homens diferentes a partir de diferentes desenhos e esquemas previamente concebidos.
Eu sou o cine-olho.
De um eu pego os braços, mais fortes e mais destros, do outro eu tomo as pernas, mais bem-feitas e mais velozes, do terceiro a cabeça, mais bela e expressiva e, pela montagem, crio um novo homem, um homem perfeito."

“Eis, cidadãos, o que vos ofereço em primeira mão, em lugar da música, da pintura, do teatro, do cinematógrafo e de outras efusões castradas.”


Referências:
• Nós: http://www.geocities.com/contracampo/nosvariacoesdomanifesto.html
• Kinoks, uma revolução: “eu sou o Cine-Olho” http://www.geocities.com/contracampo/kinoksumarevoulcao.html
• http://www.geocities.com/contracampo/vertovinventor.html?200716
• http://www.mnemocine.com.br/aruanda/vertov.htm
• http://www.sensesofcinema.com/contents/directors/03/vertov.html



Formação:
José Miguel Pinto (guitarra, clarinete, theremin)
Nuno Ferros(electrónica)
Henrique Fernandes (contrabaixo)
Sérgio Bastos (piano)
João Martins (sax, contra-tear)
João Tiago (percussão/bateria)
Eleonor Picas (harpa)
Ana Veloso (guitarra)


Cargo Collective 2017 — Frogtown, Los Angeles